Aluno do Senac Bauru investe na diversidade de gênero e consolida marca própria no mercado de moda

Renan Vital lançou uma coleção de roupas agênero e tem trabalhado em modelos inclusivos para atingir seu público nas redes sociais.

Estilistas de Bauru vem ganhando visibilidade no mercado de moda regional ao carregar o conceito da diversidade em suas peças. É o caso de Renan Vital, ex-aluno do Técnico em Produção de Moda do Senac Bauru, que apostou na criação da marca REV e que traz no segmento street wear a moda No Gender (agênero), com roupas que podem ser usadas por ambos os sexos.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o Brasil é referência mundial nos segmentos wear, entre eles, o street wear, beachwear e homewear, que são roupas confeccionadas para o contexto jovem e urbano, moda praia e para ficar em casa. O setor têxtil é também o segundo mai or empregador da indústria de transformação no país, com uma confecção estimada de 5,3 bilhões de peças de vestuário ao ano.

Renan explica que a ideia de lançar a REV surgiu na infância e da vontade que tinha de criar peças que tivessem sua “cara”. Ele conta que observava as bonecas da irmã e sentia a necessidade de inventar algo mais fashion, que fosse além dos vestidos de princesas e sereias. Por fim, acabou confeccionando jaquetas a partir de retalhos de jeans. Ao longo dos anos, sua paixão pelo mundo da moda cresceu e, aos 24 anos, se inscreveu no curso do Senac. “Ainda estudando conquistei um emprego em uma confecção de moda fitness de Bauru, entrei como costureiro e cheguei a cargo de assistente de criação, onde pude colocar em prática o que aprendi em sala de aula”.

Segundo ele, a qualificação na área foi o passo mais importante para começar a criar a própria coleção e produzir editorias de moda. “A REV surgiu na minha mente ainda criança, mas a coleção nasceu em abril deste ano, com a proposta de unir a moda jovem ao streetwear, além de transmitir minhas vivências como um jovem negro e periférico, que conta com o apoio de amigos de coletivos negros e LGBTQS da cidade”.

Atualmente, as peças de Renan estão à venda pelo Instagram (@rev.street), o que tem gerado uma procura local após o lançamento da marca. Segundo o jovem, a estratégia de atuar nas redes sociais é um modelo inicial do negócio para alavancar a marca e crescer conforme a demanda. “Com a coleção, quero quebrar alguns paradigmas sobre o que é masculino ou feminino e transmitir a mensagem de que a pessoa pode vestir aquilo que se sente bem”, diz Renan.

 

Renan Vital, ex-aluno do Técnico em Produção do Senac Bauru, que apostou na criação da marca REV e que traz no segmento street wear a moda No Gender
Renan Vital, ex-aluno do Técnico em Produção do Senac Bauru, que apostou na criação da marca REV e que traz no segmento street wear a moda No Gender

 

Para sustentar a comercialização e valorizar o consumo consciente, Renan adotou o slow fashion, que consiste no descarte correto dos resíduos têxteis. “São atitudes assim que agregam valor para a marca e também para a pessoa que confeccionou a peça, já que torna o processo de trabalho e mão de obra mais justos”. Victor Hugo Silveira Simões, docente de moda do Senac Bauru, revela que a viabilidade de empreender uma marca agênero, inclusive em Bauru, se dá, não somente pela tendência global de inclusão de minorias e promoção da diversidade, mas pela diluição das barreiras entre consumidor e marca com o advento das redes sociais. “Mercadologicamente isso constitui um fenômeno da sociedade moderna, quando velhos valores e o sistema de consumo têm sido repensados por todos os níveis, a partir da indústria. E uma vez que não comportam mais as necessidades e anseios do consumidor final, considerando a conectividade digital, há os impactos sociais, como as novas formas de consumo”.

 

Novos negócios
Esse fenômeno está acontecendo também com o mercado brasileiro de beleza e estética, que abre cada vez mais espaço para novas oportunidades de negócios sob o conceito da inclusão e da diversidade, atendendo públicos que antes não tinham opções de compra. Entre os quais, destacam-se produtos voltados para a pele negra, cabelos ondulados e cacheados e terceira idade.

Um levantamento das tendências para 2019 e 2020 realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), em parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), revela o forte movimento das marcas mundiais, inclusive no Brasil, para a valorização dos produtos para a pele negra e com cabelos ondulados, cacheados e crespos, além do consumidor de cosméticos com mais de 60 anos.

“Tendo em vista que mais de 50% da população brasileira é composta por afrodescendentes e a indústria da beleza está mais inclusiva, ainda há campos a serem explorados. Há mulheres que não encontram facilmente produtos para seu tom de pele e profissionais qualificados para executar a maquiagem”, explica Adriana Gonçalves das Neves, docente de beleza e estética do Senac Bauru.
Para Adriana, a onda sênior também traz desafios e oportunidades para o setor de beleza e estética, pois, com o envelhecimento da população, coloca no mercado uma nova leva de consumidores, com gostos e necessidades bem específicos.

“Hoje, o país tem 26 milhões de idosos e a previsão é que esse número chegue a 37,9 milhões em 2027. As mulheres e os homens de pele madura ainda encontram dificuldade para encontrar profissionais e produtos que os deixem com uma aparência mais jovem, sem perder suas características”, pontua a docente.

 

Serviço:

Senac Bauru
Endereço: Avenida Nações Unidas 10-22 – Centro – Bauru/SP
Informações: www.sp.senac.br/bauru.

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