Bauru recebe espetáculo “A Dança da Ema – Kohixoti Kipaé” que resgata história da Cultura Terena

O projeto “A criação do Mundo segundo a Cultura Terena” apresenta o espetáculo “A Dança da Ema – Kohixoti Kipaé”, de 11 a 25 de junho, em Bauru e região.

“A Dança da Ema – Kohixoti Kipaé” tem o patrocínio do ProAC Artes Integradas do Governo do Estado de São Paulo – Secretaria de Estado da Cultura; Programa de Estímulo à Cultura de Bauru – Prefeitura de Bauru – Secretaria Municipal de Cultura; Realização Cia Mariza Basso Formas Animadas e Araci Cultura Indígena; terá em contrapartida 14 apresentações gratuitas: seis apresentações oferecidas pelo ProAC e oito apresentações pelo Programa de Estímulo à Cultura de Bauru.

Para a realização do espetáculo foram necessários seis meses de montagem e pesquisa. A palestra sobre a Cultura Terena realizada por Irineu Nje’a no Auditório do Centro Cultural e a oficina de Pau de Chuva, ministrada por Emer Pol, fizeram parte da pesquisa.

Além de pesquisa dramatúrgica, a equipe fez cerca de dez visitas à Aldeia Kopenoti em Araribá, no município de Avaí. Na Aldeia, vivenciaram vários processos da Cultura Terena: colher capim na mata, que foi utilizado na confecção do figurino-  como a saia usada na Dança da Ema. Coletar na mata o barro preto, utilizado nos grafismos, nos preparativos para a dança da Ema realizadas pelos homens, e na dança Suputerena pelas mulheres. A equipe colheu também depoimentos dos anciões da Aldeia Kopenoti: os irmãos Albino Sebastião e Cassiano Sebastião, que vieram da aldeia de Mato Grosso do Sul para a reserva “Terras de Araribá”.

 

O espetáculo

A dramaturgia do espetáculo consiste em utilizar a oralidade indígena, difundindo e enaltecendo os mitos de origem, aproveitando o acervo oral que ainda existe entre os mais velhos para ser transmitido aos mais jovens, indo da aldeia para os centros urbanos. Para Irineu Nje’a, o espetáculo é importante pois “quebra o preconceito de difundir a cultura indígena na região, além de ser um trabalho lúdico”.

 

Sinopse

Inhum (Cassiano Sebastião) e Ti’Ira (Albino Sebastião), da aldeia Kopenoti, contam que um Bem-Te-Vi descobriu seus antepassados em um brejo dentro de um buraco e, com a ajuda de animais, conseguiu que eles saíssem, formando o Povo Terena.

Mas, de dentro do buraco, além do bem, muitos males vieram e eles tiveram que lutar pelas suas vidas e pelas suas terras. Tudo isso com a ajuda de um Kochomaniti (Pajé) e da Grande Ema, animal sagrado desse povo, que aparece em sonho e mostra aos guerreiros Terenas as estratégias para vencerem seus inimigos.

Desde então o Povo Terena relembra suas vitórias com o “Kohixoti Kipaé – A Dança da Ema” e as mulheres festejam a volta de seus guerreiros com a Dança Suputerena.

 

Dança da Ema/Crédito: Eric Schmmit
Dança da Ema/Crédito: Eric Schmmit

 

Linguagem cênica: História quem vem da terra

Além do Mito sobre a criação do mundo, o espetáculo retrata momentos históricos dos índios Terena, como: O Exivá, fuga para o Mato Grosso do Sul, a Guerra do Paraguai e a chegada na Aldeia kopenoti, em Avaí.

A Companhia traz como linguagem cênica a utilização de elementos da natureza, aliados ao teatro de animação com bonecos construídos em material como cerâmica indígena. A cenografia é feita a partir da Arte da Terra, que tem como característica a utilização de recursos da natureza para o desenvolvimento do produto artístico, de forma a integrar natureza e arte.

O espetáculo”A Dança da Ema – Kohixoti Kipaé” tem o patrocínio do ProAC, pelo edital Artes Integradas da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Programa de Estímulo à Cultura da Secretaria Municipal de Bauru. A realização é da Cia Mariza Basso Formas Animadas e Araci Cultura Indígena. O projeto conta com 14 apresentações gratuitas: seis apresentações, oferecidas pelo ProAC, serão em cidades da região e as outras oito, pelo Programa Municipal de Estímulo à Cultura, em escolas de Bauru.

 

Dança da Ema/Crédito: Eric Schmmit
Dança da Ema/Crédito: Eric Schmmit

 

A Cia. Mariza Basso Formas Animadas foi fundada em 2004, por Mariza Basso, com o espetáculo “O Circo dos Objetos”, e pesquisa o teatro com objetos. No decorrer dos anos realizou as montagens: “O Sítio dos Objetos”; “João Come Feijão”; “O Sapato que Sabia Andar” e “O Menino e sua bacia”. Suas produções ganharam notoriedade no Brasil e no exterior, tendo seus trabalhos apresentados e premiados em diversos festivais.

Irineu Nje’a, parceiro da Companhia, é indígena da etnia Terena do Estado de São Paulo, nascido na aldeia Kopenoti, localizada nas Terras Indígenas Araribá, no município de Avaí/SP. Atua como professor indígena da etnia Terena e é formado em Licenciatura Plena em História e Especialização em Antropologia. Com os livros “Mito de Origem Terena”, “Mito da Criação Guarani” e “Mito da Criação Kaingang”, o autor destaca-se como o primeiro escritor indígena da região de Bauru. Atualmente é presidente da Araci – Associação Renascer em Apoio à Cultura Indígena.

 

Ficha técnica
Elenco, pesquisa, dramaturgia, criação dos bonecos e figurinos: Mariza Basso e Victor Deluzzi
Consultoria e Participação especial: Irineu Nje’a
Cenografia: Alessandro Brandão
Direção Musical: Emer Pol
Iluminação e operação de luz e som: Thiago Neves
Produção, confecção de figurinos: Marcia Basso
Fotografias: Eric Schmitti
Registros em vídeo: Luiz Fabiano Marquezin
Programação visual: Emerson Gomes Vanderlei

 

Confira a Programação:

11/06 – BAURU – EE. ERNESTO MONTE – 10h30 e 16h30
12/06 – MINEIROS DO TIETÊ – GINÁSIO MUNICIPAL DE ESPORTES – 9h
13/06 – IGARAÇU DO TIETÊ – AUDITÓRIO MUNICIPAL JANDIRA RUIZ SEGURA – 9h
16/06 – AVAÍ – ALDEIA KOPENOTI – CLUBE CULTURAL – 16h
17/06 – BAURU – EE MERCEDES PAES BUENO – 10h e 16h
18/06 – BAURU – E.E. DURVAL GUEDES DE AZEVEDO – 10h e 15h30
19/06 – TORRINHA – CASA DA CULTURA – 9h
21/06 – BAURU – ESPAÇO CASULO – 19h
22/06 – BAURU – CASA DE CULTURA CELINA NEVES – 20h
24/06 – BAURU – ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA CANA – 9H
25/06 – PIRAJUÍ – EE PROF. MARIA ANGÉLICA MARCONDES – 10h.

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