Os riscos dos tratamentos alternativos em casos de câncer

Quando o câncer é diagnosticado, surge um misto de emoções: indignação, raiva, revolta, medo… Entretanto, um sentimento se sobrepõe aos demais: esperança. E com ela, a vontade de sobreviver. Esse desejo leva muitas pessoas a procurarem tratamentos não convencionais, como aqueles à base de plantas, dietas e tratamento espiritual. Fundador da Apple, o empresário Steve Jobs foi um dos que retardaram a cirurgia do câncer de pâncreas para aderir a um tratamento com ervas, o que agravou seu quadro.

No Brasil, outra figura pública que abandonou o tratamento “oficial” foi o jornalista Marcelo Rezende. O apresentador teria optado por abandonar a quimioterapia e realizar um tratamento alternativo, baseado na dieta cetogênica, após sofrer com os efeitos colaterais dos quimioterápicos.

Na busca de um tratamento que cure o câncer, uma parcela dos pacientes com tumores cancerígenos vêm deixando de lado a medicina tradicional e optando por tratamentos alternativos. Apesar de oncologistas alertarem para os possíveis perigos do uso de plantas medicinais e dietas, pacientes com estado avançado insistem em se submeter ao tratamento e afirmam conseguir melhorias em sua qualidade de vida. Para o Ramon Andrade de Mello, médico oncologista do NAIC, Bauru, São Paulo, e doutorado (PhD) em oncologia molecular pela Universidade do Porto, Portugal, “o uso de terapias alternativas para o tratamento do câncer deve ser evitado, visto que a maioria desses tratamentos não dispõem de evidências científicas adequadas. No entanto, caso o paciente opte por algum tratamento alternativo para o câncer, deve sempre discutir com o seu médico, os riscos e benefícios desses tratamentos de forma individualizada. Alguns tratamentos, como a acupuntura, por exemplo, podem funcionar em complemento com os tratamentos tradicionais, principalmente na fase dos cuidados paliativos. Por outro lado, alguns chás e ervas medicinais podem trazer efeitos deletérios aos pacientes, como hepatite tóxica, e atrapalhar os efeitos terapêuticos de abordagens já cientificamente comprovadas.”

O estudo, da Universidade Yale (EUA), mostrou que as terapias sem base científica estão ligadas a taxas mais baixas de sobrevivência. Os cientistas avaliaram 840 pessoas com tumores colorretal, de mama, próstata e pulmão. Após cinco anos, 78,3% dos que usaram tratamento convencional estavam vivos, ante 54,7% dos que optaram por terapia alternativa.

Para a Sociedade Brasileira de Oncologia Clinica (SBOC), o paciente com câncer que abandona totalmente o tratamento convencional está apostando “as últimas fichas” em um cura milagrosa. Drº Ramon de Mello finaliza: “O importante é não abandonar os tratamentos prescritos pelos oncologistas, mas sim ter um jogo aberto com seu médico e pedir sempre esclarecimentos sobre as diversas opções de promessas de cura antes de tomar a decisão de parar com os tratamentos já comprovados pela ciência, a fim de obter sempre a melhor qualidade de vida possível durante o percurso da doença.”

Ramon é professor em tempo parcial, pesquisador da Universidade do Algarve, Portugal, e também participa ativamente como membro do Comitê Educacional da Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica (American Society of Clinical Oncology – ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society for Medical Oncology – ESMO).

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